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Fonte: blog do Josias de Souza

Tarso acusa mídia de proteger gestão tucana em SP

  Alan Marques/Folha Imagem
Em discurso permeado de críticas à grande imprensa, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) acusou a mídia de São Paulo de realizar uma cobertura parcial da tragédia da cratera aberta na linha 4 do metrô paulistano. Enxerga por trás do noticiário o "interesse de preservação da elite política de determinada região".

Genro evitou mencionar os nomes dos tucanos Geraldo Alckmin, ex-governador, e José Serra, atual governador de São Paulo. Esmerou-se em realçar, porém, o que julga ser um esforço midiático para não expor os responsáveis pelo surgimento de um buraco que produziu sete cadáveres.

"Pelas informações que temos recebido, [o desastre] não tem responsáveis, a gente não sabe quem é o culpado, o que ocasionou aquilo, porque o Estado não fiscalizou", disse Genro. “Aquilo que é um processo de gestão que se transformou num processo da natureza, num acidente sem nome, sem responsável, e não existe nenhum tipo de cobrança a respeito da responsabilidade".

O discurso de Tarso Genro foi proferido nesta segunda-feira (29), diante de um público de 400 pessoas. Deu-se na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, durante seminário sobre reforma política, pacto federativo e legitimidade parlamentar. As críticas ao comportamento da imprensa não se limitaram à cobertura do desastre do metrô de São Paulo.

Genro acusou a imprensa do eixo São Paulo-Rio de tentar pautar a reforma política. Esquivou-se de mencionar nomes de veículos de comunicação. Disse apenas que a imprensa paulista e carioca "enxerga as necessidades, as questões institucionais a partir dos interesses de seus Estados".

O ministro afirmou que, a seu juízo, que não cabe aos meios de comunicação exercer o monopólio da fixação dos rumos da reforma: "A agenda não pode vir apenas dos poderes midiáticos, que têm o poder de multiplicar a informação, mas deve ser uma conexão da sociedade com o parlamento, para que suas impurezas e erros sejam bloqueados por um sistema político renovado."

Ao discorrer sobre os escândalos que tisnaram o primeiro mandato de Lula, Genro insinuou, de novo, que a imprensa realizou uma cobertura eivada de parcialidade. Mais uma vez, eximiu-se de citar nomes. Disse que o noticiário promoveu uma “cruzada” contra o Legislativo, passando à opinião pública a impressão de que erros individuais desqualificavam todo o Congresso.   

Na opinião do ministro, sempre que as CPIs evoluíam para descobertas de malfeitos praticados por pessoas não vinculadas ao governo as denuncias da imprensam cessavam. "Não estou falando da informação que transitou, mas da pouca informação que transitou e que jogou a população contra a instituição".

Genro incitou os políticos e os formadores de opinião do Rio Grande do Sul, seu Estado natal, a medir forças com a mídia e os políticos de Estados economicamente mais poderosos. Cobrou uma mobilização dos gaúchos para obter poder informativo e capacidade de articulação capazes de disputar com Rio e São Paulo um projeto nacional.

Não fosse por uma defesa feita por Tarso Genro à liberdade de imprensa, poder-se-ia dizer que a oposição de José Serra ao PAC e o noticiário adverso vêm despertando no governo aquilo que Roberto Jefferson chamaria de “instintos mais primitivos”. O portal do PT levou ao ar um resumo da palestra do ministro, de onde o signatário do blog extraiu as informações relatadas acima (leia).

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

Mídia e Política. Entrevista especial com Maria Helena Weber

 
IHU On-Line - Como se configura a relação entre política e mídia?
Maria Helena Weber - Como uma relação de dependência e reciprocidade devido à necessidade de os políticos obterem o máximo de visibilidade e assim capturar o eleitor.  No outro lado está a mídia, que necessita da política, que é a sua essência editorial.

IHU On-Line - Quem sai ganhando ou perdendo nesta relação?
Maria Helena Weber - Tanto a mídia como a política podem ganhar ou perder.  Depende dos interesses de ordem mercadológica, privados ou a defesa da ética.  A democracia não existe sem a mídia, e esta não existe sem a informação política e os investimentos.

IHU On-Line - Qual foi o impacto dessa relação nas eleições para presidente deste ano?
Maria Helena Weber - O impacto foi maior do que em outras eleições, pois estava em jogo a discussão sobre a ética, sobre a mudança do país. A sucessão de denúncias e a disputa de classe para a vaga presidencial acirraram a participação da mídia e a sua própria disputa sobre quem detinha o poder sobre a verdade, ou a melhor versão.

IHU On-Line - Que tipo de mensagens subliminares podemos encontrar na grande mídia em detrimento de um candidato ou outro?
Maria Helena Weber - São muitas, mas é possível citar aquelas utilizadas na desqualificação da imagem pública. Os espaços destinados aos candidatos são os mesmos, mas o tom, a edição/ o corte da imagem, a foto escolhida farão a diferença.   Um exemplo próximo foi a edição de Zero Hora comparando os casais Yeda Crusius e Olívio Dutra.  As fotos apontavam nitidamente a modernidade e proximidade do casal Crusius. Para o casal Dutra restaram fotos antigas (casamento) e inadequada (ambos na praia).  Cabe manifestar estranheza já que Olívio Dutra já foi prefeito, governador e ministro e deve possuir muitas fotos em arquivo.  As imagens provocarão sensações favoráveis, ou não. Mas o jornal terá sempre justificativas sobre a edição.

IHU On-Line - O que se pode dizer para os futuros jornalistas sobre esse assunto?
Maria Helena Weber - As profissões de comunicação (jornalismo, propaganda e relações públicas) geram competências exigidas pelos poderes.  Neste sentido temos de cuidar para não nos deixarmos contaminar por este fascinante poder. Não perder a capacidade de se indignar, de defender a ética.

IHU On-Line - Ainda é possível acreditar que exista uma mídia imparcial?
Maria Helena Weber - Não é possível acreditar em imparcialidade.  Mas é possível acreditar na ética que pode justificar a parcialidade.

IHU On-Line - Como fica a ética na relação mídia e política?
Maria Helena Weber - Infelizmente pode ficar submetida a interesses financeiros e privados.  Mas também pode virar o jogo e aí temos a mídia em defesa da democracia e da cidadania.  A história nos mostra inúmeros exemplos.

Deixa o homem trabalhar

Vivendo e aprendendo. O segundo turno da eleição presidencial mostrou mais uma vez que em política os fatos atropelam a todo momento as previsões de estudiosos, analistas e pesquisadores. Ninguém conseguiu prever que, para Lula, o segundo turno ao invés de limão se tornasse limonada.

 

A vitória de Lula não foi surpresa. O modo como ocorreu, sim. Lula obteve no primeiro turno 46,6 milhões de votos e no segundo turno 58,2 milhões. Ou seja: fez quase 12 milhões de votos a mais. Em contraposição, Alckmin, que tinha conseguido 39,9 milhões de votos no primeiro turno, reduziu sua votação em mais de 2 milhões, ficando com 37,5 milhões de votos. Uma vitória arrasadora de Lula, com uma diferença superior a 20 milhões de votos.

 

A vitória foi tão incontestável que abafou de vez as tentativas golpistas que setores do PFL, PSDB, da grande mídia (especialmente a revista Veja) e de outros grupos conservadores vinham alimentando. Deixa o homem trabalhar! foi o recado das urnas, em alto e bom som. Ao que tudo indica, esses setores entenderam o recado e farão uma oposição dentro das regras do jogo democrático.

 

Como explicar essa vitória contundente no contexto de tantas dificuldades para o presidente? Pretendo indicar uma explicação apoiada nos estudos da Ciência Política, indicando as duas teorias do voto mais relevantes.

 

A teoria da escolha racional (rational choice) argumenta que o voto é fundamentalmente o resultado de um cálculo que o eleitor faz no sentido de averiguar qual candidato/partido melhor defende os seus interesses (do eleitor). Sob esse ponto de vista, a interpretação que se pode fazer é que maioria do povo votou em Lula porque avaliou que sua vida melhorou durante os quatro anos do seu primeiro mandato. O cálculo foi: se minha vida melhorou (em termos de salário, renda, inflação, programas sociais) no primeiro governo, é bem provável que as melhorias continuem no segundo governo, e por isso vou votar na continuidade.

 

Outra teoria relevante é a do voto emotivo, que defende a idéia de que a maior parte dos eleitores vota sob o impulso de fatores emocionais. Essa teoria parte da constatação de que maior parte dos eleitores não tem familiaridade com a política, não acompanha cotidianamente as notícias sobre a política, não domina o linguajar político e não consegue entender as complexidades dos enfrentamentos entre os partidos. Na hora do voto, esses eleitores baseiam sua decisão na percepção que têm dos candidatos a partir dos meios de comunicação, especialmente a TV, sendo que o marketing eleitoral joga papel decisivo. O eleitor vota no candidato pelo qual “sente” mais empatia e confiança. Por esse viés interpretativo, a vitória de Lula é uma vitória do seu marketing, que o tornou mais confiável, crível e empático do que seu adversário.

 

Essas teorias não são excludentes entre si, nem excluem outros fatores, como as alianças partidárias. Em síntese, a explicação é esta: na hora do voto, pesa o cálculo que o eleitor faz, mas pesam também os fatores emocionais. Lula foi eleito porque a maioria do povo está convicta de que o seu primeiro governo melhorou a sua vida e também porque o seu marketing eleitoral foi melhor, passando ao eleitor mais credibilidade, confiança e empatia. A razão e a emoção do povo mantêm Lula no Planalto.

 

João Pedro Schmidt/Professor

Publicado na Gazeta do Sul, Ano 62 - Nº 554 - sábado e domingo, 04 e 05 de novembro de 2006

Até que não demorou muito

Fonte: Agência Globo

Marco Aurélio Garcia diz que postura da imprensa gerou segundo turno

Coordenador da campanha do PT referia-se à divulgação de imagem de dinheiro

O coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, criticou o papel de parte da imprensa na cobertura das eleições, o que teria facilitado a realização do segundo turno na disputa pela presidência da República. Para o coordenador, parte da mídia promoveu um ataque pesado nas 48h que antecederam a eleição, e que, se necessário, essa porção da mídia será enfrentada. Na opinião de Garcia, o PT sofreu um ataque pesado da mídia.

– Não responsabilizo o conjunto da mídia, mas houve um ataque sistemático e que nas últimas 48 horas antes da eleição apresentou um elemento muito inquietante. A mídia ocultou informações sobre o vazamento feito pelo delegado, mesmo tendo manifestações específicas dele a respeito – disse o coordenador, em referência ao caso das fotos com o dinheiro do caso do dossiê contra tucanos.

Garcia frisou que os detalhes do vazamento chegaram às redações mas não chegaram aos leitores, internautas, telespectadores e ouvintes.

– Não creiam que nós não percebemos, por mais sutis que possam parecer, o encadeamento de fatos com fotos e imagens de uma maneira deliberada. Editar não é esconder, cortar informações de extrema relevância num momento vital, como fizeram no caso do delegado. Há jornalistas que criticaram o governo quando este tentou impedir a divulgação das fotos, por entender ser esta uma maneira de interferir na eleição, na reta final, mas foram jornalistas que exerceram a censura em relação a vários fatos, inclusive no caso do delegado – disse Marco Aurélio.

Indagado sobre se episódios como o do vazamento das fotos poderão se repetir até a realização do segundo turno, Marco Aurélio Garcia disse:

– Não vejo porque não se repetirá. Será que a mídia não percebe que todos percebemos que em inúmeras redações há um número de colunistas e analistas, especialmente, que mal conseguem esconder a camiseta partidária?.

Marco Aurélio disse, ainda, que esse comportamento da mídia será denunciado:

– Vamos denunciar com vigor, mas nunca cercearemos o direito de a imprensa informar. Mas não seremos também prisioneiros desse biombo que permite o ataque mas não aceita a crítica ao ataque desigual. Isso será enfrentado pela campanha se acontecer.

AGÊNCIA O GLOBO
6º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público

Fonte: Agência Câmara - 14/09/2006

Setor público tem "atraso" na comunicação, diz consultor

O consultor de Comunicação Luiz Lanzetta afirmou nesta quinta-feira na Câmara, durante o 6º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público, que o setor público demora a perceber as novas tendências e instrumentos de comunicação disponíveis, e por isso fica atrasado em relação ao setor privado. Segundo o consultor, também na área política há mais lentidão para identificar novos cenários e possibilidades. Lanzetta citou como exemplo as mudanças acarretadas pelos programas sociais "Fome Zero" e "Bolsa Família", do governo federal.
"No ano passado, algumas grandes empresas de alimentos se prepararam para vender para um novo consumidor que estava surgindo [o beneficiário dos programas sociais], mas somente neste ano, ao terem de enfrentar as eleições, os partidos descobriram que existe um novo eleitor", comparou Lanzetta.

Sócio-diretor da Lanza Comunicação, o jornalista falou sobre "o que levar em consideração ao fazer assessoria de Comunicação na área política". Segundo ele, os clientes privados são mais exigentes e sabem bem o que querem quando contratam esse tipo de serviço. A palestra apresentada por Lanzetta integrou a série de seis painéis temáticos que encerrou o congresso, realizado na Câmara desde a terça-feira (12).

Estratégia e planejamento

Depois de observar que a comunicação política existe tanto no setor público quanto no privado, o jornalista afirmou que hoje o trabalho na área vai além da assessoria de imprensa. Na avaliação de Lanzetta, a administração pública requer cada vez mais planejamento e estratégias de comunicação, hoje mais valorizadas. "Nunca se cobrou tanto resultado", observou.

Ou seja, se o comunicador não estiver preparado para oferecer instrumentos que permitam alcançar resultados, não cumprirá o seu papel, segundo acredita o consultor. "O setor público tem de comprar um serviço que dê mais instrumentos de apoio às suas políticas, inclusive na área de mensuração de resultados", disse.

Lanzetta destacou a importância de saber exatamente o que vai ser comunicado, quem é o público alvo e quais são os objetivos. Ele citou como um mau exemplo a campanha do "Fome Zero", que usou símbolos negativos — como um prato vazio — e foi lançada antes que o programa existisse de fato. O "Bolsa Família", por outro lado, teve sua campanha publicitária lançada após dois anos de existência e, na opinião do jornalista, amenizou um pouco a imagem negativa do "Fome Zero".

Comunicação interna

Em outro painel, o chefe da assessoria de Comunicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Edilson Freagalle, abordou os desafios de comunicar as conquistas científicas — que, segundo ele, estão situadas em dois objetivos: sensibilizar o público interno e atingir também o externo. "Apesar de o Brasil ser uma potência no agronegócio, a sociedade ainda não tem muito essa percepção; é preciso que se compreenda a importância da pesquisa", assinalou Freagalle.

A Embrapa produz publicações, programas de rádio e TV, jornais murais e outras ações para chegar aos mais de oito mil empregados, aos seus aposentados, bolsistas e prestadores de serviços e ao público em geral. De acordo com Edilson Freagalle, as 40 unidades da Embrapa no Brasil (37 centros de pesquisa e três serviços) têm estruturas de comunicação com intensidades diferenciadas de atuação.

Reportagem - Luciana Mariz

Edição - Sandra Crespo

Fonte: Agência Câmara - 14/09/2006

Comunicação institucional pode promover negócios

Durante o 6º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público, a gerente da Divisão de Imprensa e Comunicação Interna da Eletrobrás, Carla Castelo Branco, falou sobre os investimentos da empresa em ações de comunicação institucional voltadas para a geração de negócios. Um exemplo, segundo ela, foi a incorporação da área de relacionamento com a imprensa pelo setor de publicidade da Eletrobrás.

Essa mudança, na avaliação da gerente, mostrou a consciência por parte da direção de que o noticiário poderia ser uma excelente oportunidade para maximizar resultados.

Carla lembrou que, no passado, o relacionamento com a imprensa era sempre reativo, e portanto focado em problemas. A Eletrobrás, que segundo ela é a segunda empresa do País em tamanho, gera muitas oportunidades de notícias que podem trazer resultados positivos nos negócios. Por isso, de acordo com ela, a Divisão de Imprensa vem investindo no treinamento de sua principal fonte de informação: seus funcionários.

Comércio exterior

A informação também é um instrumento de trabalho da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (Apex). Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a Apex tem projetos de promoção comercial do Brasil no exterior em parceria com 67 entidades empresariais. Nos últimos quatro anos, ela realizou quase dois mil eventos em 60 países, com benefícios para 8,5 mil empresas. O foco principal está nas médias e pequenas empresas brasileiras, que vêm sendo capacitadas para desenvolver uma cultura exportadora.

A coordenadora de Comunicação Social da Apex, Ana Cláudia Cunha Barbosa, explicou o principal dilema que as agências de promoção do comércio exterior enfrentam: "É possível vender a marca de um país?" Na avaliação dela, a multiplicidade de iniciativas torna quase impossível trabalhar a construção de uma marca de forma harmônica e objetiva.

A solução, opina, é trabalhar em nichos específicos e, por meio de marcas de excelência, construir uma imagem favorável aos negócios do país. Ana Cláudia citou como exemplo a Índia, que no passado tinha uma imagem associada ao misticismo e à miséria, e que agora consegue divulgar uma marca associada à tecnologia da informação de ponta.

Mensuração de resultados

O executivo Décio Paes Manso, por sua vez, descreveu o sistema desenvolvido pela BoxNet - Serviços de Informação — da qual é diretor — para dar tratamento qualificado ao noticiário de interesse das empresas. O serviço avalia a cobertura, o número de páginas, o espaço, a circulação, os títulos, as fotos e os valores publicitários.

No mesmo painel, relativo a formas de calcular e analisar os resultados das estratégias de comunicação, o gerente de Imprensa da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Sérgio Lapastina, ressaltou a importância da reputação corporativa como instrumento de gestão de negócios. Segundo ele, o trabalho das assessorias de imprensa corporativas é diretamente responsável pela credibilidade das instituições diante do mercado.

Reportagem - Cid Queiroz

Edição - Sandra Crespo

Fonte: Agência Câmara - 12/09/2006

Para a ABI, empresas jornalísticas são "neoliberais"

Ao participar nesta terça-feira do 6º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, apontou erros comuns aos jornalismos impresso e eletrônico - que, na avaliação dele, seguem uma orientação político-ideológica de "devotos do neoliberalismo". Azêdo considera que o erro mais grave é a "mistificação" em torno da Previdência Social, por meio da divulgação de "números falsos ou distorcidos" que têm servido para reduzir aposentadorias e pensões.

De acordo com o presidente da ABI, os meios de comunicação e os jornalistas não têm uma visão crítica em relação a temas como a situação da Varig. Ele afirmou que, neste caso, a imprensa não fez um levantamento preciso das causas da derrocada da empresa.
Azêdo também criticou o "silêncio dos meios de comunicação" diante de situações graves, como a dos presídios no País, e a "cumplicidade em relação à política de compressão salarial que se verifica no Brasil". Ele condenou, ainda, o "estardalhaço com o qual se publicam reportagens levianas" e deu como exemplo denúncia feita no ano passado sobre o suposto transporte de dinheiro de Cuba para beneficiar a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência de República em 2002.

Pluralidade de opiniões

Sobre os acertos dos veículos impressos desde a reabertura política, o presidente da ABI destacou o reconhecimento da pluralidade da vida no Brasil, inclusive partidária; a independência obtida em relação a interesses empresariais, "que antes impunham cautela em relação a determinados assuntos"; o acolhimento da diversidade de opiniões; a concessão de espaço maior ao leitor e a criação de colunas e sessões de defesa do consumidor; a busca de isenção e de objetividade, expressa na máxima de "ouvir os dois lados"; e a maior inserção em temas sociais.

Em relação aos veículos virtuais - como os jornais on-line e blogs -, Azêdo não avaliou erros e acertos, por se tratar de um fenômeno recente, mas afirmou que esses veículos oferecem uma "perspectiva que se desenha favorável", pois possibilitam uma produção democrática de informações.

Questionado pelo diretor da sucursal do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil em Brasília, Tales Faria, sobre a possibilidade de o Estado incentivar a criação de veículos virtuais para diminuir a concentração de poder na imprensa, o presidente da ABI respondeu que, com o tempo, vai ser definida e consolidada uma estrutura de apoio a esses veículos. Na avaliação dele, o apoio será não só publicitário, mas também de reconhecimento ao direito de credenciamento dos profissionais. (Tales Faria havia afirmado que alguns blogs têm dificuldades para obter credenciais para a cobertura jornalística em órgãos públicos.)

Reportagem - Luciana Mariz

Edição - João Pitella Junior

Fonte: Agência Câmara - 12/09/2006

Jornalista afirma que o Brasil não aprende com as crises

O jornalista Fernando Rodrigues, repórter e colunista da Folha de S.Paulo, afirmou nesta terça-feira que não há no Brasil uma cultura da publicidade e da transparência total. Participante do debate do 6º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público sobre as lições da crise política, ele disse que, "no Brasil, aprende-se muito pouco com todas essas crises".

Rodrigues lembrou que, recentemente, o governo federal foi pressionado para divulgar como são feitos seus gastos com publicidade. Ele ressaltou que a resposta do Palácio do Planalto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi de que a pergunta sobre a publicidade institucional dos órgãos federais deveria ser direcionada à Secretaria de Comunicação, e não à Presidência. "Esse tipo de manobra protelatória é inadmissível em um governo que quer ser transparente e facilitar o acesso às informações", afirmou o jornalista.

Lei de acesso

Fernando Rodrigues defendeu a necessidade da criação de uma lei de acesso à informação pública no Brasil. Ele ressaltou que 54 países, inclusive na América Latina, já têm leis desse tipo. Já no Brasil, acrescentou, "vigora a cultura do segredo", pois o dispositivo do artigo 5º da Constituição que assegura o direito de acesso à informação ainda não foi regulamentado.

Rodrigues classificou a Câmara como a instituição mais transparente dos Poderes da República. Ele destacou, por exemplo, a disponibilidade de informações no site da Câmara sobre os gastos dos deputados. "Isso ainda não ocorre da maneira ideal, mas já é um avanço", afirmou. Segundo ele, essa transparência depende muito da decisão política de quem comanda a Casa.

Fortalecimento

A necessidade de fortalecimento das mídias estatais em todos os níveis e das mídias comunitárias foi uma das lições da crise política apontadas pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Romário Schettino. Na opinião de Schettino, esses veículos contribuem para a pluralidade da informação. "Precisamos ampliar o equilíbrio do fluxo de informação no Brasil e não podemos aceitar que mídias comunitárias sejam relegadas a segundo plano, inclusive pelo poder público", afirmou o sindicalista. Ele defendeu a criação de um fundo de apoio às rádios e TVs comunitárias e universitárias públicas.

De acordo com Schettino, a recente crise política evidenciou a necessidade de haver uma imprensa que denuncie com responsabilidade e de existirem jornalistas investigativos, combativos e conscientes de seu papel social. Ele assinalou também que a imprensa - especialmente, a escrita - tem cada vez menos influência na opinião pública quanto à escolha dos eleitos e que a mídia eletrônica, "ao se dedicar ao espetáculo da notícia, confunde mais do que esclarece".

Na avaliação do sindicalista, o modelo de democracia brasileiro está esgotado, pois falta participação popular nos processos decisórios. Ele disse ainda que é necessária uma reforma política profunda e que a Justiça precisa democratizar o acesso da população a seus serviços.

Voto nulo

Entre as sugestões apresentadas pelo presidente do sindicato dos jornalistas, está a resistência às tentativas de rebaixamento da política "a algo enfadonho, inútil e sem solução". Ele citou como exemplo dessas tentativas o estímulo ao voto nulo. Schettino também apontou a necessidade urgente da aprovação de uma Lei Geral das Comunicações e defendeu o Projeto de Lei 256/91, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que regulamenta a regionalização da programação cultural e jornalística e a presença da produção audiovisual independente na TV aberta brasileira. A proposta já foi aprovada na Câmara e aguarda votação no Senado.

Assessoria de imprensa

O editor de Política do Correio Braziliense, Oswaldo Buarim Jr., afirmou que o trabalho jornalístico das assessorias de imprensa deve levar em conta o interesse público, em vez de atuar como um "braço da propaganda". Ele também criticou a "cultura equivocada" de que o assessor trabalha para o repórter. "Assessoria é serviço público e, como tal, deve servir ao público e não à propaganda estatal", disse.

O jornalista ressaltou a importância do trabalho integrado entre as redações e o serviço público. Buarim disse que essa integração é dificultada, no entanto, por fatores como o segredo de Justiça, classificado por ele como injustificável em casos como os de grilagem de terra por políticos.

Reportagem - Luciana Mariz

Edição - João Pitella Junior

Fonte: Agência Câmara - 12/09/2006

Marketing é essencial para setor público, diz executivo

O marketing é essencial para o serviço público, pois precisa estar ligado às necessidades sociais, segundo disse nesta terça-feira o diretor de Marketing da empresa São Paulo Turismo, Milton Longobardi, durante participação no 6º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público. Longobardi definiu o seu conceito de marketing público: toda atividade dirigida a satisfazer as necessidades e desejos da sociedade, e não do mercado. Ou seja, o marketing público, na avaliação dele, deve incluir também as pessoas sem poder aquisitivo.

A definição partiu, segundo Longobardi, do cruzamento dos conceitos de marketing e de política. O primeiro, proveniente da iniciativa privada, seria toda atividade dirigida a satisfazer as necessidades e desejos do mercado — ou seja, das pessoas com poder aquisitivo. Já o conceito de política, segundo ele, vem a ser a arte ou ciência de dirigir os negócios públicos.

Crise

O quarto painel do congresso, sobre administração de crises em órgãos públicos, foi apresentado pelo assessor especial de Comunicação da Presidência do Banco do Brasil, João José Forni. Ele definiu crise como algo que ameaça a reputação de uma instituição, causando tumulto e ameaçando as suas atividades. De acordo com Forni, o mais importante para o setor da comunicação social é justamente saber como se comunicar com a mídia nos momentos de crise.

O painel "comunicação em setores de risco" teve como palestrante o coordenador de Comunicação e Segurança da Eletronuclear, José Manuel Diaz Francisco. Ele fez uma exposição sobre as atividades da empresa, nascida em 1997 como resultado da fusão entre a antiga Nuclen e a parte nuclear da Furnas Centrais Elétricas. Diaz ressaltou que o papel principal da Eletronuclear é "produzir energia nuclear com elevado padrão de eficiência e segurança". Por sua vez, a função do setor de comunicação da empresa é, segundo ele, divulgar esse compromisso para a opinião pública.

Comunicação de governo

O diretor da Imprensa Nacional, Fernando Tolentino, participou do painel dedicado à comunicação de governo. Tolentino disse que o órgão, que segundo ele sofrera um "processo de desmonte" durante o governo passado, hoje cumpre uma importante função para a transparência governamental e o acesso à cidadania.

No mesmo painel, o secretário de Comunicação de Alagoas, Joaldo Cavalcante, falou sobre a regionalização da comunicação oficial. Ele relacionou a comunicação centralizada à forma autoritária de Estado implantada a partir da Constituição de 1937 (Estado Novo). E observou que, a partir da Constituição de 1988, surgiu um Estado mais democrático e descentralizado, o que permitiu o avanço da regionalização da comunicação.

A diretora de Relações Públicas da Câmara, Sílvia Mergulhão, explicou o funcionamento dos setores de comunicação social e de atendimento ao público da Casa, e abordou cada um dos diferentes serviços e projetos existentes. Ela participou do painel "O projeto integrado de relações públicas no Legislativo - a experiência da Câmara dos Deputados".

Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro

Edição - Sandra Crespo

Fonte: Fenaj

Artigo

Os riscos da monopolização

 

* Jacques Mick e Samuel Lima

A intenção do grupo gaúcho RBS de comprar o jornal A Notícia era uma velha novidade. Nos meios acadêmicos e profissionais, por mais de 10 anos o assunto foi tratado como possibilidade. Agora, enfim, está confirmado que a RBS assumirá a gestão do jornal joinvilense no dia 21 de setembro. Fato consumado, resta-nos discutir os impactos da transação para a sociedade e a formação da opinião pública.

Os veículos envolvidos informaram em 25 de agosto que o negócio havia sido fechado no dia anterior, que o empresário Moacir Thomazi ficará no jornal por mais um ano e que o AN "poderá ficar com a atual abrangência" (o verbo condicional é altamente significativo). O valor da transação não foi informado oficialmente, mas as cifras do negócio oscilam entre R$ 50 milhões e R$ 80 milhões. O AN, com 83 anos de atuação, emprega 512 trabalhadores e faturou, em 2005, R$ 30,3 milhões. O império regional da família Sirotsky faturou R$ 860 milhões e lucrou R$ 93 milhões no ano passado.

Com a aquisição do AN e o lançamento do diário popular Hora de Santa Catarina (no dia 28), o grupo gaúcho amplia seu número de jornais de seis para oito. Somadas, as tiragens desses veículos superam em muito a do principal diário do país – chegarão em breve aos 600 mil exemplares. O monopólio da mídia, mesmo nesse formato regionalizado, tem peso desproporcional na sociedade civil. A tendência à concentração e ao monopólio no setor remonta ao fim dos anos 1960, a partir dos Estados Unidos, e é um fenômeno mundial. No Brasil, o quadro é dramático: o conteúdo jornalístico e/ou midiático servido à sociedade é controlado, direta ou indiretamente, por literalmente meia-dúzia de famílias neste começo de milênio.

Uma versão
O anúncio da venda do AN à RBS configura-se um duplo desserviço a Joinville e a Santa Catarina. Em primeiro lugar, atenta contra a democracia, na medida em que concentra ainda mais a propriedade dos meios de comunicação, subtraindo da esfera pública catarinense uma outra possibilidade de cobertura dos acontecimentos. O fim da concorrência – por menor que fosse – abre um espaço maior para manipulações de toda ordem, e a imprensa brasileira é pródiga em exemplos dessa natureza.

Em segundo lugar, ficaremos cada vez mais expostos ao chamado "pensamento único" na mídia, porta-voz da ideologia de que há apenas uma versão da verdade. A voz única é emburrecedora e contrária aos interesses da cidadania. Entre outras conseqüências, restringe sensivelmente a pluralidade das fontes de informação, estreitamento que poderá ser especialmente grave na cobertura dos assuntos de interesse de Joinville e região.

A sociedade civil reagirá à venda do maior e mais tradicional diário de Santa Catarina ao grupo RBS?

* Jornalistas e professores do IELUSC

 

Fonte: Agência Brasil

Intercom 2006 debaterá relação entre Estado e comunicação

Irene Lôbo

Repórter da Agência Brasil

Brasília - Discutir a relação entre o Estado e a comunicação é o tema central do 29º Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), que começa hoje (6) na Universidade de Brasília (UnB) e prossegue até sábado (9).

São esperadas para o evento cerca de 3 mil pessoas, das quais 1.200 são convidados que vão fazer palestras e debates nas cerca de 60 mesas simultâneas previstas. O resultado dos debates será encaminhado à comunidade acadêmica e divulgado em publicações e através da mídia.

Esta é a primeira vez que o Intercom se realiza em Brasília. De acordo com o presidente da Intercom, o professor de Comunicação José Marques de Melo, a escolha do tema tem a ver com a "personalidade" de Brasília, uma vez que a cidade é sede do poder nacional.

O objetivo do congresso, segundo Marques de Melo, é ajudar os pesquisadores em comunicação a encontrar problemas que sejam fontes de investigações e estudos a fim de melhorar o sistema brasileiro de comunicação.

"Estamos completando um ciclo que é exatamente essa transição à democracia, e os meios de comunicação, na minha maneira de ver, eles vão ter, digamos, um papel mais proativo em relação ao desenvolvimento nacional", afirma o professor. Segundo ele, os comunicadores também esperam a criação de leis, políticas e regulamentos que inibam má conduta na área de comunicação.

Entre as questões ligadas à comunicação que precisam ser melhoradas, Marques de Melo cita a regionalização, da comunicação, que, segundo ele, até agora é "letra morta". Ele afirma que também é preciso que os meios de comunicação tomem cuidado com a importação excessiva de formatos vindos do exterior. "Não quero dizer que fechemos as portas do Brasil ao mundo, mas é preciso preservar a nossa identidade cultural".

Para manter a relação politicamente equilibrada entre o Estado e os meios de comunicação, Marques de Melo recomenda transparência e continuidade nas políticas. "O Brasil, na verdade, é um país que pouco tem se preocupado em ter uma política orgânica de comunicação. É preciso que essa política na verdade seja estruturada pelo Congresso Nacional, implementada pelo Executivo, fiscalizada pelo Judiciário, mas sobretudo monitorada pela opinião pública".

Fonte: Coletiva.net

COMUNICAÇÃO | Terça-feira, 22 de Agosto de 2006 | 10:07

Congresso discutirá Comunicação em Empresas Públicas

No início de setembro, acontece em Brasília o '6º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público'. Dirigido aos profissionais da área que atuam no serviço público brasileiro, o evento tem como tema central "A Comunicação nos Três Poderes". Realizado na Câmara dos Deputados Federais, entre os dias 12 e 14 de setembro, o congresso apresentará cases da Eletrobrás, da Eletronuclear e do Banco do Brasil, entre outros.

Além disso, haverá espaço para experiências da administração direta, como a palestra 'Treinamento de Porta-vozes no Serviço Público', com o assessor de Comunicação da Secom/Presidência da República, Jorge Duarte. Outro tema que fará parte do seminário é 'Comunicação Social em tempos de paz'.

A abertura ficará por conta do presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azêdo, que falará sobre 'Erros e acertos da Comunicação na vida democrática'. Destaque ainda para a presença internacional do consultor William Cox, da Alemanha, presidente da Management & Excellence, que abordará o tema 'O impacto da reputação no desenvolvimento de uma Nação'. As inscrições podem ser feitas pelo site www.megabrasil.com.

O peso do voto e a representação parlamentar por regiões

Fonte: Cidade Biz

O deputado do Sudeste precisa de 400 mil votos para se eleger, e o de Roraima, meros 29 mil

O que Lula tem a dizer quanto ao valor do voto em sua proposta de constituinte para mudar o sistema político?

07.08.2006 - 17:46

Antonio Machado

Ainda que fosse consensual a proposta de reformar a política por meio de uma Assembléia Constituinte, para a qual os parlamentares não poderiam concorrer, como o presidente Lula, autor da idéia, a concebe, restaria uma dúvida do tamanho do mundo para esclarecer: qual o peso que teria o voto de cada eleitor? Não há uma resposta automática para esta pergunta, porque ao contrário do senso comum o eleitor do Sul e Sudeste, sobretudo de São Paulo, Minas e Rio, é de segunda classe: seu voto vale menos que os do Norte e Nordeste.

Roraima, por exemplo, pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral, tem 233 mil eleitores, mas elege oito deputados federais – a cota mínima para a representação parlamentar estabelecida em lei. Com apenas 29 mil votos um deputado está eleito em Roraima.

Já em São Paulo, com 28 milhões de eleitores, a lei impõe o número máximo de 70 deputados. Ou seja: um deputado precisa de 400 mil votos para ser eleito. O esforço para chegar à Câmara é quase catorze vezes maior a um candidato por São Paulo, ou Minas, que um outro que vá concorrer por Roraima, ou Amapá (por onde se elege o senador José Sarney, que mora em São Luiz, no Maranhão).

Está aí uma deformidade do princípio constitucional segundo o qual todos são iguais perante a lei e uma séria ofensa ao mais que sagrado direito da democracia: a correspondência de um voto a cada homem ou mulher. “Isso vem da época da ditadura militar, quando o regime tentou fazer com que seu controle fosse mais claro e mais forte por meio das regiões mais atrasadas”, comentou o professor Eurico de Lima Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense.

A ditadura acabou há 21 anos, há 19 se fez a atual Constituição, que foi implantada em 1988, mas o atraso político continua intacto.

Então, o que o presidente Lula teria a dizer a respeito quanto ao valor do voto em sua proposta de uma nova constituinte para mudar o sistema político? Ela seria eleita com base nas regras em vigor, que apequenam os maiores colégios eleitorais do país, ou antes a lei seria reformada de modo a implantar a democracia do um voto por eleitor? E será que o atual Congresso ou o a ser eleito agora em outubro aceitaria introduzir esta mudança?

Proposta viciada

O cientista político Figueiredo é cético. “Esta distorção precisa ser consertada, mas isso seria muito difícil, já que, devido a seu número, os deputados das regiões Norte e Nordeste conseguiriam bloquear qualquer votação neste sentido”, disse.

O presidente Lula não desconhece esta realidade, já que quinta-feira declarou que “quem legisla em causa própria não faz reforma”. Sua proposta para uma constituinte exclusiva, portanto, já nasceria viciada. Bem fez o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que pulou fora e negou o apoio pedido por Lula à sua proposta.

Erros constituintes

Sem que se revejam os tetos e pisos da representação na Câmara, com o estabelecimento de um regime de proporcionalidade que mais se aproxime da realidade populacional nos estados – o que é parte na verdade de um debate mais amplo sobre a reforma da Federação -, não há como precipitar uma discussão sobre constituinte, como quer o presidente. Nem sempre foi assim este conflito federativo.

Pela regra do período militar, o piso por estado era de quatro deputados. Foi o constituinte de 1988 que agravou esta distorção, dobrando o piso para oito. Estudos feitos na ocasião indicavam que o piso de um deputado era a medida que impunha menos distorção.

A mesma proporcionalidade à época dava a São Paulo 110 deputados, e não 60, como era, o que depois foi parcialmente corrigido para os atuais 70. Minas e Rio também estão mais que sub-representados.

Atestado de óbito

Hoje, o inchaço das bancadas na Câmara dos estados do Norte e do Centro-Oeste e um pouco menos dos do Nordeste, em detrimento das demais regiões do país, favorece as pretensões eleitorais de Lula tanto quanto favorecia a velha Arena, o partido governista da fase autoritária. E isto porque é exatamente nos estados mais atrasados e nos grotões que o PT e sobretudo o presidente têm os índices de intenção de voto mais elevados.

Ao bater ainda mais no Congresso, que “está agonizante, mas ainda vivo”, como diz o deputado Paulo Delgado, um petista diferenciado e dos poucos que sobreviveram ao turbilhão que engoliu o partido, Lula “assina o atestado de óbito do Parlamento”. Delgado explica: “A crise é do presidencialismo de coalizão, que virou de cooptação. Deputado não compra deputado”.

Fonte: Coletiva.net

PUBLICIDADE | Sexta-feira, 28 de Julho de 2006 | 15:44

MTV é acusada de estimular o voto nulo

Com uma vinheta, no ar há um mês, em que recomenda à sua audiência que "prepare seu saco, os ovos e os tomates", porque vem aí a propaganda política, que chama de "inútil", "marqueteira" e de "papo-furado", a MTV, emissora do Grupo Abril, está sendo acusada de fazer campanha pelo voto nulo.

O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL), publicou em seu "Ex-Blog" um link para vídeo com a vinheta que ele mesmo colocou no site Youtube. "Parece-me completamente inconstitucional agredir todos os candidatos e fazer campanha de voto nulo para a juventude", escreveu Maia, informando que o PFL levaria o vídeo ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A vinheta, que critica tanto o governo como a oposição, deverá continuar no ar até as eleições. A MTV também apresentará videoclipes de músicas de protesto após o horário eleitoral. A MTV nega que esteja "incitando o voto nulo com a vinheta". "A empresa está amparada pelo direito de liberdade de expressão e informação conforme rege nossa Constituição. Inconstitucional seria a MTV não poder expressar a sua reprovação frente à situação política atual", disse em nota. A mesma opinião tem o ex-ministro do TSE, o advogado Torquato Jardim. Para ele, não há ilegalidade: "É livre expressão do pensamento".

Torves faz apelo para jornalistas não votarem em Lula

Fonte: Coletiva.net

COMUNICAÇÃO | Sexta-feira, 28 de Julho de 2006 | 18:54

Torves faz apelo para jornalistas não votarem em Lula

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, José Carlos Torves, fez um apelo aos profissionais brasileiros para que não votem no candidato Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, em outubro. A decisão foi adotada em função do veto do presidente ao Projeto de Lei Complementar que atualizava a regulamentação da profissão de jornalista e deverá ser acompanhada por dirigentes de outros sindicatos da categoria no País. "Não podemos apoiar um candidato que cede à pressão de entidades representativas dos empresários, como as associações Nacional de Jornais (ANJ), Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) e Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), que se manifestaram contra o projeto. O governo não ouviu os jornalistas, a principal categoria de trabalhadores interessada", explicou Torves.

O presidente do sindicato critica ainda, a retirada do Congresso, no ano passado, do Projeto de Lei que criava o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), apresentado pelo próprio Executivo depois de ser elaborado pela Federação Nacional do Jornalistas (Fenaj). Nesta ocasião, o governo Lula também atendeu aos interesses do empresariado da comunicação. "O presidente ainda aprovou o sistema brasileiro de televisão digital sem debater e consultar os jornalistas. Ouviu novamente apenas o poder midiático", criticou Torves. Na avaliação do presidente, "quem é contra este projeto é contra a organização e fortalecimento dos jornalistas", afirma o dirigente, defendendo o veto dos profissionais brasileiros ao atual presidente.

SBT é processado por exibir programação inadequada para o horário

Fonte: Coletiva.net

COMUNICAÇÃO | Quarta-feira, 26 de Julho de 2006 | 17:26

SBT é processado por exibir programação inadequada para o horário

O SBT pode ser condenado a pagar uma multa de R$ 8 milhões por mais de 120 programas "contendo inadequações" para os horários em que foram ao ar, entre 2004 e início de 2006. O pedido foi do procurador da República Sérgio Suiama, que entrou ontem na Justiça Federal com uma ação civil pública. O procurador também requer uma liminar que obrigue a rede a cumprir a classificação indicativa feita pelo Ministério da Justiça.

A ação se baseia em três investigações por descumprimento da classificação indicativa. É amparada em dados do Ministério da Justiça, que monitora a programação da rede. Um caso grave relatado na ação é o da apresentação, em janeiro de 2004, de "South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes". O filme, que é quase um "dicionário de palavrões", foi classificado como impróprio para menores de18 anos. Ele deveria ir ao às 23h, mas foi apresentado a partir das 22h15.

Outro caso grave foi o da exibição no "Programa do Ratinho" de "imagens pornográficas" só adequadas para depois da meia-noite. O programa, apesar de ter classificação para as 21h, foi exibido em 2005 antes das 20h. A ação ainda enumera a transmissão no período matutino ou vespertino de séries e novelas classificadas como inadequadas para antes das 20h, como "The O.C.", "O Vidente" e "Smallville", que vão ao ar nas manhãs de domingo. O SBT não se manifestou.

A Globo também está na mira do Ministério da Justiça, que já comunicou à emissora que está monitorando a novela 'Páginas da Vida' devido a várias denúncias recebidas contra seu conteúdo, que estaria abusando de cenas de sexo. A Globo foi alertada que "se persistirem as inadequações", a novela poderá ser reclassificada para as 22h.

Profissão de jornalista - Redação final do PLC 79/2004

 

Olá colegas, para quem deseja conhecer o teor e ainda não teve oportunidade, é só clicar: PLC 79/2004.

Tá na mesa do Lula. Ele só precisa sancionar ou vetar. Que facilidade é ser presidente da República heinhô turma?

Abraços a todos e beijos nelas.

Do Comunique-se

Aí colegas,achei interessante esta notícia (mais ainda a presença do colega francês!)

EFE: Negro apresenta pela primeira vez principal telejornal da França

 

Paris, 17 jul (EFE).- O jornalista francês Harry Roselmack se torna nesta segunda-feira (17/07) o primeiro apresentador negro do principal telejornal da França, uma decisão que a cadeia TF1 pretende transformar em uma medida símbolo na luta contra o preconceito.

A TF1 responde assim ao pedido feito há nove meses pelo presidente Jacques Chirac aos veículos para que tornasse "visível" a diversidade étnica do país após os distúrbios do ano passado em bairros pobres da periferia de Paris e de outras cidades francesas.

Roselmack substituirá durante o verão (no hemisfério norte) um dos apresentadores mais conhecidos da França, Patrick Poivre d´Arvor, no telejornal das 20h, que é visto todos os dias por mais de oito milhões de pessoas e tem uma audiência média de 40% de share.

Os pais de Roselmack nasceram na Martinica, ex-colônia francesa e atualmente um departamento de ultramar francês. O jornalista nasceu em Tours, no centro da França, em 1973, e apresentava há alguns meses o telejornal no Canal Plus e em sua rede 24 horas i-tele.

Roselmack não será o primeiro membro de uma minoria étnica a apresentar um telejornal de importância na França, já que a martinicana Audrey Pulvar, também negra, é apresentadora do France 3 desde 2004 e o francês de origem argelina Rachid Arhab foi o apresentador de um telejornal do France 2 entre 1998 e 2000.

Além de critérios étnicos, Roselmack tem o perfil clássico de apresentador de noticiários: bonito, jovem e elegante.

A escolha de Roselmack vem precedida de uma certa polêmica pela suposta influência do ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, em sua nomeação.

O jornal Libération afirma que Sarkozy fez o possível para ser o convidado de estréia de Roselmack esta noite para apresentar seu livro Temoignages ("Testemunhos"), que será lançado hoje.

Sarkozy explica no livro seu ativismo para sua candidatura às eleições presidenciais de 2007. A TF1, no entanto, optou por antecipar a entrevista para a noite de domingo.

© Agencia EFE

CARTA De Ouro Preto - Parte 2

CARTA DE OURO PRETO pARTE 2

é  por conta desse pano de fundo multifacetado que o jornalista brasileiro precisa trabalhar pela consolidação de um Código de Ética que seja aplicado por um Conselho Federal dos Jornalistas, visando a valorização da profissão como meio e a liberdade de imprensa e o controle público das comunicações como fins. Como forma de atingirmos este objetivo:


• Promoveremos uma campanha nacional que amplie as alianças e garanta a legitimidade para a reapresentação do projeto do CFJ;
• Reivindicaremos, ainda, a imediata aprovação, pelo Congresso Nacional, do projeto da Lei da Imprensa, cujo substitutivo nº 3.232, aprovado pelos jornalistas brasileiros, tramita há 14 anos e está adormecido nos escaninhos da Câmara dos Deputados desde 1997;
• Reivindicaremos a imediata sanção do projeto que atualiza a regulamentação profissional e consolida o conceito que jornalismo é uma profissão de nível superior.

 

O 32º Congresso Nacional dos Jornalistas também repudia a decisão equivocada do Governo Lula em optar pelo padrão japonês como base para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). Principalmente, porque mantém a concentração dos meios de comunicação nas mãos dos atuais "donos da mídia", não garante a inclusão social do povo brasileiro, não incentiva o desenvolvimento da indústria nacional, nos isola regionalmente e não prepara o País para a convergência tecnológica. Pior do que tudo, ainda mantém as telecomunicações e a radiodifusão à margem de um processo regulatório que iniciasse pela revisão da legislação da área das comunicações no Brasil e culminasse pelo estabelecimento da democratização da comunicação como um direito social.


São essas as principais questões e posicionamentos que os jornalistas brasileiros debateram, em um evento com presença recorde de profissionais e estudantes, e decidiram informar e comunicar ao Brasil. Fizemos isso em uma localidade histórica; berço do pensamento libertário brasileiro; serra de nuvens baixas e ideais ousados; terra de revoltas tardias, porém, duradouras. Fizemos isso no ano em que a Federação Nacional dos Jornalistas completa seis décadas de relevantes serviços prestados à nossa categoria e a todo o povo brasileiro, na consolidação da democracia e da liberdade de imprensa no Brasil. Fizemos isso porque é nosso dever como profissionais e como cidadãos. Fizemos isso porque acreditamos ser o melhor para a sociedade e para os jornalistas brasileiros. É assim que se vai poder lutar, com a mesma coragem e determinação do passado, e, mais uma vez, vencer.

 

Ouro Preto, 8 de Julho de 2006.
217º da Inconfidência Mineira
60º ano da Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ

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