Fonte: blog do Josias de Souza
Alan Marques/Folha Imagem
Em discurso permeado de críticas à grande imprensa, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) acusou a mídia de São Paulo de realizar uma cobertura parcial da tragédia da cratera aberta na linha 4 do metrô paulistano. Enxerga por trás do noticiário o "interesse de preservação da elite política de determinada região".
Genro evitou mencionar os nomes dos tucanos Geraldo Alckmin, ex-governador, e José Serra, atual governador de São Paulo. Esmerou-se em realçar, porém, o que julga ser um esforço midiático para não expor os responsáveis pelo surgimento de um buraco que produziu sete cadáveres.
"Pelas informações que temos recebido, [o desastre] não tem responsáveis, a gente não sabe quem é o culpado, o que ocasionou aquilo, porque o Estado não fiscalizou", disse Genro. “Aquilo que é um processo de gestão que se transformou num processo da natureza, num acidente sem nome, sem responsável, e não existe nenhum tipo de cobrança a respeito da responsabilidade".
O discurso de Tarso Genro foi proferido nesta segunda-feira (29), diante de um público de 400 pessoas. Deu-se na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, durante seminário sobre reforma política, pacto federativo e legitimidade parlamentar. As críticas ao comportamento da imprensa não se limitaram à cobertura do desastre do metrô de São Paulo.
Genro acusou a imprensa do eixo São Paulo-Rio de tentar pautar a reforma política. Esquivou-se de mencionar nomes de veículos de comunicação. Disse apenas que a imprensa paulista e carioca "enxerga as necessidades, as questões institucionais a partir dos interesses de seus Estados".
O ministro afirmou que, a seu juízo, que não cabe aos meios de comunicação exercer o monopólio da fixação dos rumos da reforma: "A agenda não pode vir apenas dos poderes midiáticos, que têm o poder de multiplicar a informação, mas deve ser uma conexão da sociedade com o parlamento, para que suas impurezas e erros sejam bloqueados por um sistema político renovado."
Ao discorrer sobre os escândalos que tisnaram o primeiro mandato de Lula, Genro insinuou, de novo, que a imprensa realizou uma cobertura eivada de parcialidade. Mais uma vez, eximiu-se de citar nomes. Disse que o noticiário promoveu uma “cruzada” contra o Legislativo, passando à opinião pública a impressão de que erros individuais desqualificavam todo o Congresso.
Na opinião do ministro, sempre que as CPIs evoluíam para descobertas de malfeitos praticados por pessoas não vinculadas ao governo as denuncias da imprensam cessavam. "Não estou falando da informação que transitou, mas da pouca informação que transitou e que jogou a população contra a instituição".
Genro incitou os políticos e os formadores de opinião do Rio Grande do Sul, seu Estado natal, a medir forças com a mídia e os políticos de Estados economicamente mais poderosos. Cobrou uma mobilização dos gaúchos para obter poder informativo e capacidade de articulação capazes de disputar com Rio e São Paulo um projeto nacional.
Não fosse por uma defesa feita por Tarso Genro à liberdade de imprensa, poder-se-ia dizer que a oposição de José Serra ao PAC e o noticiário adverso vêm despertando no governo aquilo que Roberto Jefferson chamaria de “instintos mais primitivos”. O portal do PT levou ao ar um resumo da palestra do ministro, de onde o signatário do blog extraiu as informações relatadas acima (leia).
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